#PraCegoVer: Participantes do evento reunidos no auditório da Atento, segurando a bandeira LGBT.

“Promover e apoiar ações em prol dos direitos LGBT+ na comunidade” é o que diz o Compromisso 10 da Carta de Adesão ao Fórum, assinada pelas empresas. Criar um espaço para intercâmbio das práticas já existentes e também para conhecer algumas organizações da sociedade civil que desenvolvem ações sociais para o público LGBT+ eram objetivos do evento que o Fórum promoveu, no dia 10/08, na Atento. Foi o 2º Workshop do Comitê sobre Direitos LGBT+, Investimento Social Privado e Voluntariado Empresarial.

Estiveram presentes 31 pessoas, dentre elas representantes das empresas Atento, Demarest, GE, IBM, JLL, KPMG, Lefosse, MCM, PwC, Sodexo, Tozzini Freire, ViaVarejo (GPA) e John Deere (convidada não signatária). Tivemos também a participação das organizações: Casa 1, ED5 editora, Grupo de Estudos de Voluntariado Empresarial (GEVE) e Mães pela Diversidade.

Após o networking, Reinaldo Bulgarelli, Secretário Executivo do Fórum, apresentou o contexto do evento, lembrando que já há ações relevantes nas empresas e que esse Comitê tem o papel de torná-las mais visíveis para melhorarmos ainda mais as práticas em relação ao Compromisso 10. Na sua apresentação, ele mostrou um panorama das ações do Fórum durante o ano, articulando as ações do Comitê com a dos demais Comitês e Grupos de Trabalho. Na sequência, fez a abertura dos painéis com práticas inspiradoras.

Maju Giorgi e Clarice Pires, responsáveis pelo Mães pela Diversidade, contaram um pouco sobre a criação desse movimento que tem, como principais objetivos, criminalizar a LGBT+fobia e falar de respeito e aceitação nas escolas. Além de ser um espaço de acolhimento de mães e pais de filhos LGBT+, presente em mais de 20 estados brasileiros, a ONG tem uma atuação política suprapartidária e, por exemplo, abre diversas Paradas do Orgulho LGBT. “Nós vamos na frente para mostrar que, se quiserem fazer alguma coisa com os nossos filhos, antes terão que passar por cima de nós”, reforça Maju. Para quem quiser saber mais sobre o Mães pela Diversidade, o movimento tem uma página no Facebook e busca apoio institucional com doações e também profissionais que possam dar apoio na comunicação, por exemplo.

O próximo painel formado foi sobre Empregabilidade de pessoas trans: a arte de fazer currículos, com Thays Toyofuku, gerente de diversidade na JLL e membro do Comitê Gestor do Fórum, e Júnior Carvalho, voluntário na Casa 1. É um processo interessante para resgatar memórias de trabalho, competências e experiências que possam ser interessantes para se candidatar a vagas. Além do preconceito que enfrentam, a própria exigência de currículo em formatos tão rígidos, não valorizam travestis e pessoas trans, sobretudo as que se encontram em situação de vulnerabilidade e estão buscando o mercado de trabalho formal.

Segundo Júnior, é muito comum que essas pessoas não tenham uma formação formal, mas já tiveram diversas experiências profissionais como vender bolo, trabalhar em lanchonetes ou, até mesmo, experiências artísticas e como performers. “Ter uma travesti ou pessoa trans na empresa significa entender que suas vivências, suas experiências são importantes e devem ser vistas como um valor”, afirma. Thays também lembrou que as empresas, conforme previsto no Compromisso 9 – promover o desenvolvimento econômico e social das pessoas LGBT+ na cadeia de valor, podem envolver os fornecedores na tarefa de trabalhar a empregabilidade de travestis e pessoas trans, sobretudo com escolaridade abaixo da exigida pelas grandes empresas. Thays, atualmente, é voluntária no projeto de empregabilidade trans “Cozinha e Voz”, da OIT, Ministério Público do Trabalho e Paola Carosella.

Na sequência, Marcos Brogna, professor e gestor de comunicação e marketing na ED5 editora, e a escritora Paula Napolitano, apresentaram o livro escrito por ambos: “Diversidade e Sexualidade – para quem educa em casa, na escola, na empresa e a si mesmo”. Juntos também desenvolveram o projeto Diversidade e Sexualidade na educação em Paraisópolis, que atendeu 1.200 alunos e 78 professores em duas escolas públicas da comunidade, mapeando os preconceitos. Bullying, racismo, machismo e homofobia foram os principais problemas encontrados e trabalhados nas escolas.

O projeto foi possível graças à parceria com a iniciativa privada e contou com a formação dos docentes sobre as temáticas. Como resultado, a avaliação final constatou que 100% dos alunos participantes consideraram que o projeto ajudou a diminuir os preconceitos e o bullying. Outra informação importante a partir da pesquisa realizada na escola é a importância que os adolescentes e jovens dão para a escola como principal canal para saberem mais sobre sexualidade e práticas de boa convivência entre as pessoas.

Outra ação desenvolvida em escolas, com objetivo de valorizar a diversidade, é o Respeito em Foco, da IBM. Adriana da Costa Ferreira, líder de Diversidade &Inclusão para a América Latina da empresa e membro do Comitê Gestor do Fórum, apresentou esse projeto de voluntariado que leva questões relacionadas à empatia e respeito para a sala de aula. Debatendo o desenrolar de histórias, os estudantes, em grupos, devem propor soluções para cada uma delas. Segundo Adriana, o investimento para o projeto é baixo pois necessita de materiais de papelaria e do tempo para a formação dos voluntários da IBM que atuam nas escolas. “Percebemos um alto impacto com os participantes, para a imagem da empresa e no engajamento de todos e todas”, ressalta.

Outro painel, liderado por Erlan Valverde, sênior da equipe de advogados do Tozzini Freire, tratou de Legislação do terceiro setor: ação social das empresas e voluntariado. O advogado trouxe um panorama das leis que regem o setor, as dúvidas e também quais os caminhos que devem ser buscados para a destinação de verbas para incentivos sociais. Contribuiu para que os participantes conhecessem as oportunidades que a empresa tem, favorecendo um diálogo mais qualificado com as áreas responsáveis por verbas relacionadas à comunidade, cultura, renúncias fiscais, entre outras.

Depois dos painéis, Reinaldo Bulgarelli mediou uma conversa juntamente com Silvia Naccache e Giuliana Preziosi, do GEVE. Esse foi o momento para que os participantes pudessem dividir as experiências vividas em cada empresa. A maioria dos participantes relatou possuir programas de voluntariado, alguns atrelados a Institutos ou Fundações das empresas, mas ainda é raro considerarem ou terem foco nas pessoas LGBT+.

Há projetos que desenvolvem jogos para trabalhar temas como cidadania, gênero, bullying e direitos humanos, alguns deles que poderiam ser disponibilizados para as demais ignatárias. Outras empresas, por meio de atuação voluntária de seus colaboradores, fazem mentoria de carreira ou para organizações da sociedade civil. As possibilidades são variadas e, como foi enfatizado pelos mediadores, é importante que as ações estejam alinhadas com os valores da empresa, enfrentando assim possíveis conflitos com valores individuais contrários aos direitos LGBT+. É possível, ainda, aproveitar da expertise dos colaboradores para desenvolver projetos e, acima de tudo, que todas as pessoas participantes tenham encantamento pela causa.

Para finalizar o workshop, foi apresentado o Grupo Organizador do evento, formado por: Larissa Tega (Atento), Camila Araújo (Tozzini Freire), Clara Serva (Tozzini Freire), André Corrêa (Tozzini Freire), Gabriel Brigante (PwC). Para fortalecer esse grupo, contamos agora coma participação de Eliane Momesso (KPMG). A Secretaria Executiva, como nos demais Comitês e Grupos de Trabalho, acompanham e apoiam as atividades propostas.

Como próximo passo, o evento definiu que seria importante realizar um levantamento dos parceiros das empresas, organizações que estão contribuindo para trabalharem de alguma forma a questão LGBT+ na relação com a comunidade. Também foi proposta a realização de um evento visando empregabilidade de pessoas LGBT+ com a Casa 1. A ideia é que os profissionais das empresas tenham contato com a realidade vivida pelas pessoas atendidas pela Casa 1, levem as vagas disponíveis, conversem e entendam as especificidades dessa população, gerando impactos positivos na empregabilidade, sobretudo, de travestis e pessoas trans.

Publicado em: 14/08/2018

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