#PraCegoVer: Foto dos participantes da Oficina de Comunicação numa varanda do Novotel Morumbi. Estão segurando uma bandeira do arco-íris e um banner do Fórum de Empresas e Direitos LGBT+ com os dizeres “seja bem-vindo”. Atrás das pessoas, temos alguns prédios da cidade de São Paulo e a Ponte Estaiada.

Por Secretaria Executiva

“Quem não se comunica, se estrumbica”. A frase eternizada pelo Velho Guerreiro, o Chacrinha, parece que nunca vai sair de moda. Porém, nos dias de hoje, ela pode ganhar alguns adjetivos para se adequar ainda mais às transformações sociais, econômicas e políticas que estamos vivendo. Então, quem não se comunica com respeito, de olho na diversidade, buscando inclusão e representatividade, dando voz a todos, se trumbica!

#PraCegoVer: O consultor Ricardo Sales veste camisa vinho e calça jeans cinza. Está com microfone na mão. Há mesas com garrafas de água, papéis e canetas sobre elas. Também um computador e uma caixa de som.

Foi pensando nisso que o Fórum de Empresas e Direitos LGBT+ promoveu uma Oficina de Comunicação, no dia 29/11, no Novotel Morumbi, em São Paulo. O evento foi coordenado por João Torres, do Comitê Gestor do Fórum e teve todo apoio da AccoHotels. Estiveram presentes 37 representantes de 25 empresas signatárias. A Oficina teve coordenação de Ricardo Sales que é consultor de comunicação e diversidade e pesquisador na Escola de Comunicações e Artes da USP, onde realizou mestrado sobre políticas de diversidade nas organizações. “A área de Comunicação é uma das que mais fomenta a cultura na empresa”, disse Ricardo logo no início do encontro. Assim, ela se torna peça fundamental para a transformação da organização, que deve ser feita de maneira ampla, com coerência e engajamento de todos. Além disso, discutir diversidade numa Oficina como esta promovida pelo Fórum “é ajudar as empresas na busca e garantia dos 10 compromissos”, completa o consultor.

Trazer à tona discussões que envolvam o tema LGBT+ é fundamental para as empresas. Além de ser um tema latente e importante na sociedade, uma pesquisa realizada pela consultoria OutNow mostrou que, no Brasil, 68% dos LGBT ouvem comentários preconceituosos na sua rotina de trabalho e apenas 1 a cada 3 se sente confortável para se assumir abertamente na empresa. “E devo dizer que estamos falando praticamente só de gays, lésbicas e bissexuais, porque as pessoas trans quase não estão presentes nas organizações”, completa Ricardo Sales.

O pesquisador ainda disse que “nós, como comunicadores, podemos agir como educadores”. Portanto, é importante que a área de comunicação seja responsável por buscar e compartilhar informações sobre o tema pois, algumas vezes, a falta delas é a causa do preconceito. Desenvolver a empatia e a curiosidade vão ajudar as pessoas na busca de conhecimento sem medo ou receio e, percebendo-se num ambiente propício, poderão falar abertamente sobre o assunto.

Também é importante a participação dos aliados na criação de um ambiente realmente mais inclusivo. Afinal, diversidade dá resultados e é um assunto que diz respeito a todos, sendo ou não LGBT+. Quando temos uma empresa comprometida com essa causa, temos colaboradores mais criativos e inovadores, além de melhorar o clima organizacional pois o profissional consegue estar inteiro naquele local, sem precisar se esconder ou mentir. O engajamento das equipes se eleva e há retorno de imagem e reputação para a marca, sobretudo com os jovens, que entendem a diversidade como um valor.

# PraCegoVer: telão com a apresentação do case da Avon. Ao lado direito, Paulo Henrique Curzio, líder de Diversidade & Inclusão da empresa. Olhando na direção dele, os participantes da Oficina. Mesas de madeira com garrafas, papéis e canetas sobre elas e cadeiras vermelhas também estão na sala.

A Oficina de Comunicação também foi um espaço para apresentação de alguns cases de sucesso. A AccorHotels mostrou alguns detalhes do mercado da hospitalidade e de como vem desenvolvendo a sensibilização e engajamento dos seus colaboradores com a causa. Na época da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, por exemplo, todos os colaboradores dos hotéis da região receberam um treinamento específico e também o broche usado por eles tinha a bandeira do arco-íris com o logo da empresa. Na sequência, a responsável pela comunicação corporativa externa da Dow, Cláudia Ramos, falou de como se estruturam e quais ações desenvolvem os grupos de afinidades da empresa: de negros, mulheres, pessoas com deficiência e o GLAD, que reúne os LGBT+.

O terceiro case apresentado na Oficina foi o da Ambev. Há aproximadamente 7 anos, a empresa redirecionou sua comunicação e toda a publicidade parou de objetificar a mulher. Esse foi apenas um dos pontos dessa mudança de cultura da Ambev em relação à diversidade e inclusão, que teve na comunicação da Skol uma das suas principais forças. Segundo Maria Fernanda Albuquerque, diretora de marketing da Skol, “a mudança veio de dentro para fora. Como companhia, houve uma discussão profunda, pois as outras marcas não poderiam jogar contra a Skol”. Desde 2016, eles patrocinam a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo e, neste ano, fizeram latinhas que traziam o logo com as cores do arco-íris. O valor da venda dessas latinhas foi revertido para a Casa 1, que abriga pessoas LGBT+ na capital paulista.

Para finalizar o dia, a Avon apresentou algumas de suas ações. A empresa possui uma Rede Pela Diversidade com grupos de afinidade, dentre eles o de gênero, raça, PCD e também o LGBTQ, que desenvolveu, recentemente, uma roda de conversa com representantes das siglas, em frente ao refeitório, para sensibilizar os colaboradores. Essa rede também desenvolveu o manifesto “União Pela Diversidade”, que foi impresso e colado numa das paredes da empresa e um vídeo, protagonizado por funcionários, que mostra a diversidade encontrada e valorizada na Avon.

Para 2018, o comitê Gestor e os outros Comitês que compõem o Fórum vão organizar oficinas e encontros para debater e trocar experiências em diversos temas. Aguardem!

Publicado em: 01/12/2017

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