#ParaCegoVer: imagem ilustrativa com fundo vermelho e frases em inglês que traduzem para “Orgulho e preconceito: atitudes e opiniões sobre inclusão LGBT no ambiente de trabalho”.

No meu último artigo Orgulho e Preconceito – Parte I – A minoria escondida vimos que milhares de pessoas em todo o mundo escondem sua orientação e/ou identidade de gênero no ambiente de trabalho por temerem algum prejuízo em suas carreiras.

Compartilhei com vocês o exemplo de uma iniciativa que é liderada por funcionárias de diversas multinacionais (Lesbian Who Tech – Brazil Edition) e visa o empoderamento das mulheres L, B e T nas empresas de tecnologia. Comentei a importância de realizarmos ações afirmativas para que as pessoas tomem consciência do seu papel nesse processo de mudança cultural tão importante e necessário em nosso país e dando continuidade à análise do texto do The Economist – Pride and Prejudice quero ressaltar o Capítulo 3 (Achieving Visibility – alcançando visibilidade) que navega justamente por esse debate super rico que é o engajamento executivo em ações voltadas à Diversidade & Inclusão.

Vamos dar uma pequena pausa aqui na questão LGBT e lembrar que todos, sem exceção, queremos trabalhar em empresas onde nos sintamos respeitados, onde nossos talentos sejam reconhecidos, nossa voz seja ouvida, nossos projetos tenham visibilidade e acima de tudo que este lugar nos permita e estimule crescimento contínuo. Isso serve pra todo mundo, certo?

É também verdade que muitas empresas tem discursos super inclusivos, metodologias de trabalho modernas, estações de trabalho coloridas e joviais, mas, na prática, a teoria é diferente. As lideranças mantém suas raízes no passado, acreditando que o deu certo lá atrás não pode dar errado no futuro e literalmente ficam estagnadas em modelos de gestão contraproducentes.

A pesquisa que estamos analisando revela que 63% dos líderes entrevistados (CEOs e alta gestão) não vêem a necessidade de se estabelecer políticas claras sobre direitos humanos (em especial LGBT) em suas empresas! Eles acreditam que, por não conhecerem ou trabalhem próximos à pessoas LGBT, não há consequentemente uma demanda para se investir tempo e dinheiro para introduzir ou promover políticas de inclusão e respeito no ambiente de trabalho!

Ledo engano. As pessoas LGBT estão em todos os lugares, somos como cada um de vocês leitores, homens e mulheres, brancos e negros, jovens e adultos, com formação acadêmica ou não, proficiência em dois ou mais idiomas ou não, competentes como vocês e consequentemente estamos sim em grandes e pequenas empresas!

Eu acredito que a cada um de nós é determinado um papel nesse processo de mudança cultural e cada gesto conta. Acompanhar as transformações organizacionais através de uma gestão de talentos eficaz é responsabilidade dos gestores, apoiados por RH; definir uma política expressa de combate à discriminação e preconceito é outro ponto fundamental, mas o que faz mesmo a diferença no dia-a-dia é ter líderes autênticos, engajados e acima de tudo que dêem exemplo.

Opor-se à discriminação e preconceito não é tratar apenas do tema LGBT, é opor-se a todo tipo de violência contra quem é diferente de você mesmo, do que é diverso. E não vamos esquecer que diverso no Brasil não é a mesma coisa que diverso na China!

Vejam que extraordinário o quem tem feito os CEOs das empresas que fazem parte do Forum de Empresas e Direitos LGBT. Estão todas elas, sem exceção, empenhadas em encontrar caminhos para implementar ações que vão engajar sua alta liderança, envolver sua cadeia de valor, seus departamentos de marketing, compras e jurídico e juntas avançarem a cada dia em direção a um mundo mais inclusivo para todos… e todas (como sabiamente diz meu amigo Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Forum através da Txai Consultoria).

Eventos

Hoje e sempre, travestis, homens e mulheres transexuais, lésbicas, gays e bissexuais têm direito a todos os direitos, a um trabalho decente e, sobretudo, a uma vida com liberdade e igualdade.Momentos especiais do evento do Fórum de Empresas e Direitos LGBT, realizado em 24 de maio de 2017, estão no conjunto de pequenos vídeos que estão sendo lançados no mês do Orgulho LGBT. Os vídeos são resultado da parceria da OIT com o Fórum, apoiando a disseminação dos 10 Compromissos da Empresa com os Direitos LGBT. Eles trazem a fala importante das lideranças empresariais e das lideranças dos mais diferentes setores da sociedade, incluindo as Campeãs da Igualdade da ONU, Daniela Mercury e Malu Mercury. Os vídeos visam fortalecer o movimento empresarial em torno dos direitos humanos de pessoas LGBT – lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (travestis e transexuais). Ao mesmo tempo, demonstram para toda a sociedade que o país possui um vigoroso movimento empresarial comprometido com a valorização da diversidade e tudo que isso significa para alcançarmos patamares mais elevados de desenvolvimento sustentável no Brasil e no mundo.Assista ao vídeo 3 – Eventos

Posted by Organização Internacional do Trabalho on Sunday, June 18, 2017

Como você pode ver neste vídeo, produzido por Ju Bacelar e veiculado pela OIT em sua parceria com o Forum, cada CEO está empenhado em trazer para o Brasil práticas que elevem a qualidade do ambiente de trabalho. São em sua maioria, empresas globais que teoricamente teriam mais facilidade em implementar políticas anti discriminatórias e inclusivas, mas nem sempre está claro como isso pode ser feito.

Vamos combinar, nossos RHs e as áreas de comunicação e marketing ainda tem dúvidas de como publicar vagas para atrair pessoas com deficiência, como ser uma empresa atrativa para a negras e negros, como ser a empresa dos sonhos para jovens e para a terceira idade… quem dirá para implementar benefícios para casais do mesmo sexo, licença paternidade para casais homoafetivos ou para apoiar funcionários trans nos momentos iniciais de sua transição!

É por isso que gostaria de propor que no próximo bloco abordássemos com mais detalhes a implementação de políticas de Diversidade & Inclusão envolvendo stakeholders de RH. Topa participar?

 

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