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Dia da Visibilidade Intersexo: a importância da orientação correta

Inclusão de pessoas LGBTI+ no mercado de trabalho ainda é marcada por falta de oportunidades. Nesta terça-feira (26), a partir das 18h, ABRAI realiza evento sobre “Reflexões do Direito e da Saúde Sobre a Repercussão da Classificação de Sexo na vida de Pessoas Intersexo”

Divulgação: Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+


Em 26 de outubro é celebrado o Dia da Visibilidade Intersexo. O dia foi escolhido porque no ano de 1996 aconteceu a primeira demonstração pública de pessoas intersexo na América do Norte. Além disso, simboliza a inclusão da letra I na sigla LGBT, representando o grupo de pessoas intersexo. Para falar sobre o tema, nesta quarta-feira (26), a partir das 18h, a ABRAI realizará um evento intitulado “Reflexões do Direito e da Saúde Sobre a Repercussão da Classificação de Sexo na vida de Pessoas Intersexo’’, na Sede Seccional da OAB de São Paulo. A entrada é gratuita, mas é necessário retirada de ingressos via Sympla.


Mas, afinal, o que é intersexo? Intersexo é um termo utilizado para descrever pessoas que não se encaixam em características sexuais congênitas que, em alguns casos, são visíveis durante o nascimento ou que surgem até a puberdade. Dessa forma, as pessoas intersexo não se enquadram nas normas médicas e sociais para corpos femininos ou masculinos. Esses indivíduos podem possuir variações das características sexuais ou do desenvolvimento do sexo.


“Para que fique claro, homens nascem com características dos Cromossomo XY (produção de testosterona e órgãos sexuais) e secundárias, como virilizar. Já as mulheres nascem com características dos Cromossomo XX (mamas, útero, ovário e vagina) e, secundárias, como a menstruação. No caso de uma pessoa intersexo, ela pode ter variações de característica entre o sexo masculino e feminino”, afirma a Doutora em Psicologia da Educação, Thais Emília, fundadora e presidenta da ABRAI (Associação Brasileira de Intersexos).


Um levantamento realizado pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 2021, estima que pessoas intersexo representem entre 0,05% e 1,7% da população. O tema, no entanto, ainda é cercado por preconceito e falta de informação. “Muitas mães recebem orientações errôneas dos médicos. Em alguns casos, os responsáveis não são informados sobre o que é uma pessoa intersexo, os riscos de uma possível cirurgia precoce para um bebê, tanto físicos quanto psicológicos, e tantos outros aspectos que podem impactar na fase adulta”, diz a especialista.


Pessoas intersexo e o mercado e trabalho

A inclusão de pessoas LGBTI+ no mercado de trabalho ainda é marcada por falta de oportunidades e preconceito. Embora algumas companhias já caminhem de forma positiva nesse tema, articulando-se em iniciativas como o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, ainda é necessária a criação de medidas de representatividade por meio de políticas públicas a fim de garantir os direitos humanos dessa população.


“Hoje, ainda não temos políticas públicas que contemplem pessoas intersexo. Apenas alguns documentos importantes, como o informativo sobre bebês intersexo da Secretaria de São Paulo e a nota técnica do Conselho Regional de Psicologia sobre o atendimento de pessoas intersexo, mas ainda engatinhamos nas políticas públicas. Temos uma primeira lei que conceitua o que é uma pessoa intersexo, além da conquista, somente em 2021, de que bebês intersexo possam ter certidão de nascimento. É algo que ainda precisa avançar muito”, relata Thais.


Segundo Thais, uma das principais dificuldades das empresas é a falta de informação sobre o tema. Por isso, existe uma movimentação maior de algumas companhias para encontrar associações que ajudem a entender o que são pessoas intersexo, como lidar e de que forma garantir os devidos direitos profissionais. Isso porque, muitas dessas pessoas precisam se ausentar para tratamentos médicos ou outras questões.


“Existem empresas que colocam cotas para pessoas intersexo, mas não possuem muitos dados. Enquanto associação, fornecemos cursos de capacitação e orientações para proporcionar a educação adequada à essas companhias”, diz a psicóloga. “Temos notado muitos avanços no mercado profissional, mas vale ressaltar que, em casos de preconceito e assédio, é importante levar ao RH da empresa”, conclui Thais.


Serviço: Reflexões do Direito e da Saúde Sobre a Repercussão da Classificação de Sexo na vida de Pessoas Intersexo’’

Data: quarta-feira, 26 de outubro

Horário: das 18h às 20h

Local: Sede Seccional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) São Paulo

Endereço: Rua Maria Paula, 35, Bela Vista -São Paulo/SP

Ingressos: gratuitos mediante agendamento via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/sexo-e-biologico-reflexoes-do-direito-e-da-saude-sobre-a-repercussao-da-classificacao-de-sexo/1760039)


Sobre a Doutora Thais Emília

Thais Emília é professora Conferencista na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Psicopedagoga, Psicanalista e Escritora, também é Doutora e Mestra em Psicologia da Educação pela Faculdade de Filosofia e Ciência da Universidade Estadual Paulista (FFC-UNESP). Presidente da ABRAI (Associação Brasileira de Intersexos), é ainda Embaixadora Avon na luta contra violência de gênero.


Sobre o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+


Criado em março de 2013, o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ é um movimento empresarial com atuação permanente reunindo grandes empresas em torno de 10 Compromissos com a promoção dos direitos humanos LGBTI+. O propósito do Fórum é articular empresas em torno do compromisso com o respeito e a promoção aos direitos humanos LGBTI+ no ambiente empresarial e na sociedade. Além disso, o Fórum realiza eventos periódicos para compartilhar as melhores práticas das empresas signatárias, fomentar o respeito à diversidade sexual e identidade de gênero e abrir espaços para diálogos entre empresas e a comunidade, “10 Compromissos para a Promoção dos Direitos LGBTI+”, expressam o entendimento sobre o papel das empresas e uma agenda de trabalho. Conheça mais em: https://www.forumempresaslgbt.com/


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