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Radar da Inclusão 2026: pessoas LGBTI+ com deficiência enfrentam mais capacitismo no trabalho

8 de out.
3 min de leitura

Atualizado: há 2 horas

Com apoio institucional do Fórum, pesquisa reúne 2.526 entrevistas e revela como orientação sexual e identidade de gênero se relacionam às experiências de discriminação de pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes.


A terceira edição do Radar da Inclusão – Empregabilidade de Pessoas com Deficiência e/ou Neurodivergentes, realizada pela Talento Incluir, Pacto Global – Rede Brasil e Instituto Locomotiva, apresenta um panorama das condições de acesso, permanência e desenvolvimento profissional desse público no mercado de trabalho brasileiro.


Com apoio institucional do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, a pesquisa ouviu 2.526 pessoas em todo o país, entre julho e agosto de 2026. Nesta edição, o levantamento amplia a discussão sobre a contratação de profissionais com deficiência e/ou neurodivergentes, investigando as barreiras que permanecem após a entrada nas empresas.


Entre os resultados gerais, 95% das pessoas na força de trabalho entrevistadas consideram que contratar profissionais com deficiência não é suficiente: as empresas também precisam garantir condições para seu desenvolvimento profissional. Além disso, 76% relatam já ter vivenciado pelo menos uma das situações de capacitismo investigadas.


O impacto do capacitismo sobre pessoas LGBTI+ com deficiência

A partir dos resultados do Radar, o Fórum preparou um material complementar que destaca a intersecção entre deficiência, orientação sexual e identidade de gênero, chamando a atenção para as experiências de profissionais LGBTI+.


Entre as pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes entrevistadas, 13% declararam orientação sexual não heterossexual e 3% se identificaram com gêneros não normativos. Considerando o grupo de 2.068 pessoas na força de trabalho, 335 se identificaram como LGBTQIAPN+, aproximadamente uma em cada seis.


Os dados mostram que as experiências de capacitismo são mais frequentes nesse grupo. Entre profissionais LGBTQIAPN+, 84% relataram já ter vivenciado capacitismo no trabalho, contra 76% da média geral. A discriminação por parte da própria liderança também foi mais recorrente: 60%, em comparação com 53% do total.


A desqualificação profissional foi relatada por 51% das pessoas LGBTQIAPN+, oito pontos percentuais acima da média geral.


As diferenças também aparecem na saúde mental. Entre as pessoas empregadas, 58% das LGBTQIAPN+ afirmaram que o capacitismo afetou muito sua saúde mental, enquanto a média geral foi de 45%. Além disso, 49% disseram não se sentir nada à vontade para conversar sobre saúde mental com lideranças ou profissionais de Recursos Humanos, diante de 44% do total.


O que esses resultados representam para as empresas?

O recorte elaborado pelo Fórum chama a atenção para a necessidade de considerar diferentes características e experiências das pessoas na construção das políticas corporativas de inclusão.


Os resultados indicam que ações voltadas às pessoas com deficiência precisam contemplar também a diversidade sexual e de gênero. Da mesma forma, políticas LGBTI+ devem considerar as necessidades de acessibilidade e as barreiras enfrentadas por profissionais com deficiência.


A atuação das lideranças merece atenção especial, tanto pela frequência dos relatos de capacitismo quanto pelo impacto dessas experiências sobre a saúde mental e o desenvolvimento profissional.


O Fórum convida as empresas signatárias a conhecerem os resultados e avaliarem como suas políticas e práticas podem responder às necessidades de profissionais que vivenciam essas diferentes formas de discriminação.


Acesse os materiais:

  • Radar da Inclusão 2026: relatório completo da pesquisa, com resultados sobre contratação, acessibilidade, capacitismo, permanência e desenvolvimento profissional.

  • Quando deficiência e diversidade sexual e de gênero se cruzam, o capacitismo pesa mais: material do Fórum com os principais indicadores do recorte LGBTI+ e questões para reflexão nas empresas.



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