Saúde mental deixa de ser benefício e vira obrigação nas empresas
Reportagem da Emerge Mag analisa como a atualização da NR-1 amplia a responsabilidade das empresas sobre riscos psicossociais e reforça debates sobre cultura organizacional, segurança psicológica e diversidade no trabalho.
A saúde mental no ambiente corporativo deixou de ser tratada apenas como benefício ou diferencial competitivo. Com a atualização da NR-1, empresas passam a ter responsabilidade formal sobre fatores como excesso de carga de trabalho, metas inalcançáveis, assédio moral e sexual, jornadas exaustivas e relações interpessoais tóxicas.
A medida acompanha uma tendência global de ampliação das discussões sobre saúde mental e relações de trabalho. Dados citados pelo Ministério do Trabalho e Emprego apontam que cerca de 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente no mundo devido à depressão e à ansiedade. No Brasil, os afastamentos por burnout cresceram mais de 800% em quatro anos.
CULTURA ORGANIZACIONAL E SEGURANÇA PSICOLÓGICA
Especialistas apontam que a nova regulamentação exige mais do que campanhas pontuais de conscientização. As empresas precisarão identificar, monitorar e criar ações concretas para prevenir o adoecimento mental relacionado ao trabalho.
“A nova NR-1 trouxe a visão de gente. As pessoas não são apenas um corpo que se machuca. Existe também o lado psíquico, que não quer tropeçar em piadas ou comentários ofensivos”, afirma Reinaldo Bulgarelli, secretário-executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+.
Para Cecília Margutti, advogada e líder da área de Pessoas e Cultura da Stocche Forbes, o principal desafio é fazer com que as empresas deixem de enxergar a NR-1 apenas como obrigação ou custo.
“Ao perceber que o investimento é baixo perto do retorno em produtividade e redução de turnover, as empresas verão que a NR-1 é um favor para elas.”
Ambientes mais seguros tendem a fortalecer segurança psicológica, ética corporativa e qualidade das relações interpessoais dentro das organizações.
EMPRESAS COM CULTURA DE CUIDADO SAEM NA FRENTE

A Stocche Forbes já mantinha iniciativas voltadas à saúde física, emocional, social e financeira dos colaboradores antes mesmo da atualização da NR-1.
Em 2024, a empresa fortaleceu o programa Fluir com a criação da pesquisa semestral Vibes, que monitora fatores como carga de trabalho, reconhecimento, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e segurança psicológica.
Na edição de agosto de 2025, a pesquisa contou com participação de 253 colaboradores — uma taxa de adesão de 68,2%. Entre os estagiários, 94,6% afirmaram que recomendariam o escritório para colegas.
Empresas que já investem em escuta ativa, inclusão e qualidade das relações de trabalho tendem a ter mais facilidade para se adaptar às novas exigências da NR-1.




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