As pessoas que fizeram a diferença em diversidade corporativa em 2025
- Fórum LGBTI+

- 23 de dez. de 2025
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Reportagem da Emerge Mag destaca lideranças e profissionais que, mesmo diante de um ano desafiador, impulsionaram avanços concretos na agenda de diversidade corporativa e reafirmaram o compromisso das empresas com os direitos humanos.

O ano de 2025 foi marcado por tensões políticas e questionamentos à agenda de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). Ainda assim, profissionais que atuam na linha de frente das empresas demonstraram que não há espaço para retrocessos quando a diversidade está integrada à estratégia dos negócios e à sustentabilidade organizacional.
Entre os destaques está Isabel Mello, da Petrobras, que liderou iniciativas de letramento e sensibilização voltadas a trabalhadores de áreas operacionais, como refinarias e plataformas. As Caravanas do Orgulho LGBTQIAPN+ ampliaram a visibilidade da comunidade dentro da empresa e impulsionaram a autodeclaração, que saltou de 15% para 38% em apenas seis meses. O sucesso da iniciativa levou à expansão do projeto para outras frentes, como diversidade racial e ações específicas voltadas à população trans.
“O foco é dar visibilidade às pessoas e sensibilizar para a humanidade que muitas vezes se tenta apagar”, afirma Isabel.
OPORTUNIDADE E DIGNIDADE TRANSFORMAM TRAJETÓRIAS
A reportagem também destaca a trajetória de Nathália Fernandes, designer sênior de pessoas da Alcoa. Mulher trans, Nathália encontrou em empresas com intencionalidade e políticas estruturadas a oportunidade de desenvolver sua carreira com dignidade. Reconhecida como LinkedIn Top Voice em Diversidade, ela reforça que trajetórias individuais só se tornam possíveis quando existem boas oportunidades de contratação, permanência e crescimento profissional para a população trans.
“É preciso garantir acesso ao mercado de trabalho com dignidade e perspectivas reais de carreira”, destaca Nathália.
DIVERSIDADE ALINHADA AO IMPACTO SOCIAL
Outro exemplo de protagonismo é o de Leandro Corrêa, gerente de Diversidade e Inclusão da Arcos Dorados. Em 2025, a empresa implementou a distribuição de cestas básicas subsidiadas para funcionários em situação de insegurança alimentar, identificada a partir do Censo de Diversidade. A iniciativa beneficiou milhares de pessoas, majoritariamente mulheres, pessoas negras e LGBTI+, demonstrando como dados e diversidade podem gerar respostas concretas a desafios sociais urgentes.
Para Leandro, o Brasil reúne condições para liderar globalmente a agenda de diversidade corporativa, aliando impacto social, inovação e sustentabilidade dos negócios.
DIVERSIDADE COMO ESTRATÉGIA DE NEGÓCIO
A integração entre diversidade, sustentabilidade e estratégia empresarial também é destaque na atuação de Antonietta Varlese, sênior vice-presidente de Comunicação, Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa da Accor Américas. Sob sua liderança, a diversidade deixou de ser apenas um valor institucional e passou a compor a experiência do colaborador, o relacionamento com stakeholders e a governança da empresa.
“A diversidade se tornou parte da estratégia do negócio e da forma como nos relacionamos com a sociedade”, afirma Antonietta.
INTENCIONALIDADE PARA GERAR INCLUSÃO
Já Daniella Donadio, head de ESG do C6 Bank, reforça que inclusão não é consequência automática da diversidade. Ela exige intenção, investimento e revisão constante de políticas e práticas. Desde a criação do banco, temas como DEI, ética e sustentabilidade foram integrados à cultura organizacional, resultando em iniciativas pioneiras, como o uso do nome social por clientes e o apoio à retificação de documentos de pessoas trans.
O ano se encerrou com a realização do Prêmio Fórum Profissionais do Ano 2025, que reconheceu indivíduos e empresas signatárias pelo impacto de suas ações em diversidade corporativa.
“Apesar dos desafios enfrentados pela agenda de DEI e ESG, nossa comunidade se manteve firme na defesa dos direitos humanos”, afirma Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+.




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