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Os desafios e avanços no desenvolvimento de lideranças LGBTI+ nas empresas

Atualizado: há 5 horas

Reportagem da Emerge Mag destaca como políticas afirmativas, programas de mentoria e o engajamento da alta liderança são fundamentais para ampliar a presença de pessoas LGBTI+ em cargos de liderança.



A promoção da diversidade nas empresas não se efetiva apenas com a contratação de pessoas de grupos minorizados. Para que a inclusão seja estrutural, é necessário garantir acesso a oportunidades de desenvolvimento e ascensão profissional. Esse é o principal desafio enfrentado por pessoas LGBTI+ no mercado de trabalho, especialmente em posições de liderança.


A trajetória de Cibele Florêncio, maîtresse de banquetes no Novotel Morumbi, ilustra o impacto de políticas afirmativas bem estruturadas. Após a incorporação da rede ao Grupo Accor e sua transição de gênero, Cibele teve acesso a programas internos de desenvolvimento de talentos que possibilitaram sua permanência e crescimento na empresa, até alcançar um cargo de liderança.


“Realizar a transição de gênero e continuar a carreira, chegando a uma posição de liderança, é extremamente importante”, afirma Cibele.

Apesar dos avanços, dados do relatório Experiências de Trabalho de Pessoas LGBTQIA+ no Brasil, da Out & Equal e do Instituto + Diversidade, mostram que apenas 28% das pessoas LGBTI+ ocupam cargos de liderança — sendo a maioria homens gays, com baixa representatividade de pessoas trans.


PROGRAMAS AFIRMATIVOS E MENTORIA

Signatária do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, a Accor tem ampliado suas ações para enfrentar esse cenário. A empresa aderiu aos 10 Compromissos do Fórum em 2017 e, desde então, estruturou iniciativas como censo de diversidade, grupos de afinidade e programas específicos de desenvolvimento de lideranças LGBTI+. Em 2025, o levantamento interno apontou que 16% das lideranças da companhia se autodeclaram LGBTQIA+, sendo 1% pessoas trans.


Para acelerar esses avanços, a empresa lançou o LGBTalent+, programa de mentoria voltado exclusivamente para o desenvolvimento de lideranças da comunidade.


VALIDAÇÃO DA ALTA LIDERANÇA

Pesquisa realizada com empresas signatárias do Fórum revelou que 48% possuem ações focadas na carreira de pessoas LGBTI+, com destaque para programas de mentoria, capacitação técnica e formação de lideranças. Para especialistas, o engajamento da alta liderança é decisivo para que essas iniciativas avancem.


“O compromisso com a diversidade precisa existir da diretoria às operações. Sem alinhamento e atitude individual, a empresa não evolui”, destaca Ricardo Mota, diretor de Gente e Gestão da Rede Américas.

Na Localiza, por exemplo, o apoio direto do CEO permitiu que a agenda de diversidade e inclusão avançasse rapidamente, com a criação de grupos de afinidade, áreas de atuação prioritárias e reconhecimento externo, como o Prêmio de Diversidade e Inclusão da Aberje.


DIVERSIDADE COMO POLÍTICA INSTITUCIONAL

Especialistas reforçam que, para garantir ambientes realmente inclusivos, a diversidade deve estar integrada às políticas formais das empresas, com regras claras de enfrentamento à discriminação e processos contínuos de sensibilização.


Embora 78% das pessoas LGBTQIA+ afirmem não esconder sua identidade no trabalho, mais da metade ainda relata a ocorrência frequente de comentários ou piadas negativas, o que evidencia que a inclusão plena ainda é um desafio.


“Não queremos colocar as pessoas em caixinhas. Cada trajetória é única, e essa diversidade é a nossa riqueza”, afirma Laís Souza, gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão da Accor.

Apesar dos obstáculos, a reportagem aponta um cenário de avanços graduais. Com políticas estruturadas, validação da alta liderança e programas afirmativos, as empresas têm papel central na construção de ambientes mais seguros, representativos e alinhados aos direitos humanos.



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